Não escrevo a partir de um lugar neutro … escrevo a partir de quem sou.
Sou “físico-químico” de formação e investigador por profissão. Trabalho com ciência, materiais, dispositivos e dados, num território onde o rigor é condição mínima e a dúvida é permanente. Talvez por isso escreva como escrevo: com atenção ao detalhe, resistência a respostas fáceis e alguma desconfiança de certezas absolutas.
Durante anos, esse olhar encontrou expressão sobretudo na gastronomia, nos vinhos e nas viagens. No Meu Palato foi o espaço onde comecei a escrever, sempre a partir da experiência vivida e nunca da lista ou da classificação. Isso, para mim, sempre foi uma forma de compreender o mundo, cultural, social e até politicamente.
Com o tempo, esse olhar foi-se alargando. Vieram os livros, a música, o cinema, o teatro. Vieram as perguntas sobre o presente, a política, a forma como vivemos juntos. Vieram também a família e o quotidiano, quase sempre como presença discreta, nunca como exposição.
Politicamente, não me reconheço em trincheiras rígidas. Tenho um pé à esquerda, outro mais próximo da direita, e uma curiosidade genuína por pessoas e ideias que pensam bem, mesmo quando pensam diferente de mim. Identifico-me com valores de justiça social e cuidado, mas admiro a lucidez, o sentido de responsabilidade e o realismo que encontro em muitos pensadores e políticos de direita. Escrevo sem fidelidades partidárias e sem neutralidade fingida.
No final de 2024, um problema de saúde obrigou-me a parar. A abrandar. A repensar prioridades, ritmos e até a forma de escrever. Em 2025, com o anúncio do encerramento da plataforma SAPO Blogs, tornou-se claro que fazia sentido recomeçar, não do zero, mas de forma mais consciente. Assim nasce No Meu Olhar.
Aqui, o palato continua presente, mas já não está sozinho. Este é um espaço onde se escreve sobre viagens, hotéis, restaurantes e vinhos, mas também sobre livros, música, cinema, teatro, política e família. Não como guia, não como opinião definitiva, mas como exercício de atenção.
Há ainda o futebol. Sou do Vitória Sport Clube, de Guimarães. Não por acaso, mas por identidade. Gosto do futebol enquanto narrativa, pertença e cultura popular, e desconfio profundamente de quem torce por quem ganha e dos consensos fáceis, dentro e fora do campo.
O maior orgulho, e sem a menor dúvida, a maior sorte da minha vida é a família que tenho. A Clarisse como pilar e inteligência, lugar de pensamento e equilíbrio. A Bia como exigência alegre, gargalhada aberta e ternura inesperada. O Gui como exemplo raro de coração puro, de palavras sábias ditas sem cálculo e de um amor sem condições. Não escrevo sobre eles, mas escrevo sempre a partir deles.
Este site não pretende agradar a todos, nem ocupar um lugar confortável. Pretende apenas ser honesto com o olhar de quem escreve. Há coisas que não se mostram, mas que se veem. É nesse espaço que tento escrever.
