“Se eu gosto de poesia? Gosto de pessoas, animais, plantas, lugares, chocolate, vinho, conversas amenas, amizade e amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo.” Carlos Drummond de Andrade
Sempre que o inverno nos arrefece o corpo, o chocolate ajuda-nos a aquecer a alma. Esta é a altura dos Lindt, dos Ferrero Rocher, dos Mon Chéri, dos bombons, dos biscoitos, das trufas e dos troncos de chocolate. Mas já se perguntaram de onde terá surgido esta ligação quase mágica entre o tempo frio e o chocolate? Para responder a esta pergunta, temos de viajar 4000 anos até à civilização Maia da Mesoamérica.

Os Maias e os Astecas foram os primeiros especialistas em chocolate. Originalmente, o chocolate era consumido como bebida amarga pelos Astecas, mas os grãos de cacau, colhidos da árvore Theobroma, também eram usados como moeda e em rituais pelo povo Maia. Estas civilizações antigas acreditavam que os grãos de cacau eram mais valiosos que o ouro. Assim, o chocolate desempenhava um importante papel económico, político e espiritual nas suas sociedades. A história diz-nos que antigos potes e vasos olmecas (outro povo pré-colombiano da Mesoamérica) datados de cerca de 1500 a.C. foram descobertos com vestígios de teobromina, um composto estimulante encontrado no chocolate. Os Olmecas, mais tarde, transmitiram o seu conhecimento sobre o cacau aos Maias da América Central, que não irião apenas consumir chocolate, mas também o iriam reinventar.
@25hours Hotel Zürich West
A história escrita maia menciona bebidas de chocolate, sendo saboreadas em celebrações e para finalizar transacções ou cerimónias importantes. Apesar da enorme importância do chocolate na cultura maia, ele não estava reservado apenas para os mais ricos e poderosos, fazendo também as delicias dos mais desfavorecidos. Em muitas famílias maias, o chocolate era apreciado em todas as refeições. Era espesso, espumoso e muitas vezes surgia misturado com pimenta, mel ou água.

Os Astecas elevaram chocolate a outro nível, pois acreditavam que este lhes era oferecido pelos deuses. Esse chocolate asteca, denominado xocolatl, era principalmente uma extravagância da classe alta, embora as classes mais baixas o apreciassem ocasionalmente em casamentos ou outras celebrações esporádicas. Talvez o mais notório amante do chocolate asteca tenha sido o governante Montezuma II, que supostamente bebia galões de xocolatl todos os dias para obter energia e para assuntos “afrodisíacos”. Não há consenso sobre como o chocolate chegou à Europa, embora haja certeza histórica de que entrou no velho continente através de Espanha. Existem 3 teorias principais. Uma delas diz-nos que Cristóvão Colombo descobriu grãos de cacau depois de interceptar um navio mercante na sua viagem à América, levando com ele os grãos para a Espanha em 1502.
Outra afirma que os Astecas da corte de Montezuma ofereceram chocolate ao conquistador espanhol Hernan Cortes. Depois de regressar a Espanha, com grãos de cacau a reboque, ele, supostamente, terá mantido a sua descoberta sobre em segredo. Uma terceira história afirma que os frades que presentearam os maias guatemaltecos a Filipe II da Espanha em 1544, também trouxeram grãos de cacau como oferta. Na verdade, não importa como o chocolate chegou a Espanha. O certo é que no final dos anos 1500 era uma indulgência muito apreciada pela corte espanhola, e que a Espanha começou a importar chocolate em 1585. À medida que outros países europeus, como a Itália e a França, “visitavam” algumas partes da América Central, também “descobriram” o cacau e trouxeram-no para respectivos países. Em 1847, o chocolateiro britânico Joseph Storrs Fry criou a primeira barra de chocolate moldada a partir de uma pasta feita de açúcar, licor de chocolate e manteiga de cacau.
@Max Chocolatier Boutique Zurich
Localizada no Kreis 1, na Cidade Velha, a igreja Grossmunster foi o ponto de partida da famosa Reforma Protestante em Zurique. O pregador Huldrych Zwingli iniciou o movimento no púlpito desta austera igreja. Mas a história do Grossmunster é ainda mais antiga. Segundo a lenda local, diz-se que Carlos Magno fundou esta magnífica igreja, que se acredita estar situada sobre os túmulos dos santos padroeiros da cidade, Félix e Regula. Para vistas mais panorâmicas (e impressionantes) da cidade, subam até uma das suas torres. A Fraumunster é popular entre os visitantes graças à sua torre distinta (que enfeita o horizonte de Zurique) e aos seus vitrais Marc Chagall. A igreja foi construída sobre as ruínas de um convento fundado no século IX pelo imperador Ludwig, neto de Carlos Magno. A sua icónica torre verde é um dos marcos mais conhecidos de Zurique.

O Museu Nacional Suíço fica num edifício histórico parecido com um castelo no extremo norte de Kreis 1. O museu engloba a arte, a história e a cultura suíças desde 100.000 a.C. até aproximadamente 800 d.C. As exposições cobrem tudo, desde arqueologia na Suíça até arte e artesanato suíços. Há até uma exposição projectada especificamente para crianças chamada “Um passeio no tapete mágico pela história”, que convida os visitantes mais jovens do museu a viajarem no tempo enquanto exploram uma réplica de um palácio árabe, um vagão ferroviário antigo e um grande veleiro.
O Afghan Anar vai ser daqueles que mais vai demorar a sair da minha memória. É o único restaurante Afegão incluído no guia Michelin. Lá podem provar alguns dos pratos mais populares do país, como o bolani, o kabuli pulao ou a famosa baklava. A atmosfera é descontraída e prática, o que se deve em parte à cozinha aberta e à decoração autêntica. Como alternativa às mesas e cadeiras convencionais, aconselhámos a jantarem nas tradicionais esteiras. O próximo, o Raclette Stube Zürich, foi o meu restaurante favorito desta viagem.
Destacámos a raclette à descrição e os clássicos fondues “moitié-moitié”, “pure vacherin” e “valaisanne”. O aroma a queijo, ainda antes de abrirmos a porta to restaurante, pode já ter saído das minhas narinas mas ainda permanece na minha alma 😛 A decoração, uma mistura entre as tabernas suíças e restaurantes de rua da Toscana, assenta-lhe muito bem. Como opção fine dinning sugerimos o Rechberg 1837. 7 pratos, um menu. Utiliza apenas produtos regionais que existiam por volta de 1837 (ano da construção da casa), ou seja, antes da industrialização. O menu é acompanhado de vinhos da região. O prato vegetariano (couve-flor, batata e miso) foi dos melhores que provei até hoje. É incomparavelmente sustentável, exclusivamente local, o ambiente é aconchegante e atendimento é eficiente charmoso.
@La Taqueria Altstetten
No Nüni é possível saborear as deliciosas iguarias à la carte e um menu de almoço que muda diariamente, confeccionado com ingredientes sazonais e regionais. O cardápio que tem por base ingredientes regionais e frescos, incentiva à partida e o serviço é feito informalmente mas com atenção e detalhe. A decoração, uma espécie de PUB helvético tem como objectivo colocar os comensais o mais “à vontade” possível. O risotto de marisco é simplesmente delicioso!!!
O La Taqueria Altstetten é o local perfeito para “limpar o palato” dos sabores mais intensos, através de uma deliciosa refeição mexicana. Com ambiente colorido e despretensioso, o restaurante serve generosos, autênticos e deliciosos tacos, burritos, quesadillas e muito mais. A equipa é simpática e atenciosa, e a área externa é perfeita para uma noite descontraída. Há uma grande variedade de opções, incluindo opções vegetarianas, veganas e sem glúten. Não deixem de provar as Chicken Wings acompanhadas por uma bela Corona 😉

O Zeughauskeller, localizado não muito longe da Paradeplatz, é um ponto de encontro popular entre moradores e turistas desde 1926. Significa “depósito de armas” em alemão pois era exactamente para isso que o Zeughauskeller servia antes de ser restaurante. Hoje, as armas, na parede, servem apenas para decoração. Desde 1926, o Zeughaus tem sido um local de encontro pacífico e amigável. E como convém a um lugar como este, são servidos apenas pratos bons e fartos que satisfaçam até os maiores apetites: salada de linguiça e queijo, Wiener schnitzel, cordon bleu e Zürcher Geschnetzeltes são apenas algumas das especialidades da casa que vos vão deixar de queixo caído. Tudo isto é claro regado por uma bela selecção de cervejas e whiskies.
@Zeughauskeller
Voltando ao tema dos chocolates sugerimos a vista a dois espaços. A Boutique Max Chocolatier é o céu para qualquer amante de chocolate. Os mestres chocolateiros transformam ingredientes naturais da mais alta qualidade em criações de chocolate únicas e em harmonia com as quatro estações: trufas Marc de Champagne no Inverno, maracujá “SchoggliPlättli” no Verão e bombons em forma de coração para o Dia dos Namorados. As barras de chocolate vão desde o branco puro ao extra escuro, as drageias surgem recheadas com avelãs e o coco faz companhia aos grãos de café em propostas mais ousadas. Numa degustação privada de chocolate, fomos convidados a mergulhar no mundo da Max Chocolatier, por uma hora. Foi assim que descobrimos mais sobre a história da empresa e, posteriormente, experimentámos a linha de produtos premium e conversamos com alguns chocolatiers especializados.
Como não poderia deixar de ser, um dos pontos altos da viagem foi a visita ao Lindt Home of Chocolate, o maior museu de chocolate da Suíça. Este edifício impressionante que foi projectado pelos famosos arquitectos Christ & Gantenbein, recebe os amantes de chocolate de todo o mundo em Kilchberg, no Lago Zurique. Uma exposição multimédia interactiva guia os visitantes por sete mundos diferentes do chocolate, que apelam a todos os sentidos. Do cultivo do cacau à história do chocolate, passando pela degustação do chocolate suíço da mais fina qualidade, lá podemos encontrar tudo o que está relacionado com o chocolate. É ainda possível verificar in loco as mais recentes tecnologias de produção e automação na fabricação de chocolate de qualidade superior.

Para além da maior loja de chocolates Lindt do mundo, no adjacente e ultramoderno café Lindt, os hóspedes são tratados com deliciosas especialidades caseiras de waffles e chocolate e têm uma bela vista para a espectacular fonte de chocolate com 9 metros de altura. Por entre a atmosfera única da Lindt e sob a orientação especializada dos Lindt Maîtres Chocolatiers, os visitantes podem ainda aprender como manusear o chocolate e criar as suas próprias obras-primas de chocolate. Tudo isto levou-nos a perceber um pouco acerca da herança cultural suíça do chocolate. Este é um espaço tão rico, que, no mínimo, têm de guardar 5 horas para o conhecer. Reservem a visita com antecedência porque a enorme procura faz com que, muitas vezes, os bilhetes esgotem. Sigam um conselho aqui do Pedro, levem sacos ou bolsos vazios porque vão precisar deles no final da visita 😛
Em conclusão, Zurique emerge como um destino de Inverno encantador, que vai muito além das suas paisagens pitorescas e a riqueza da sua história. Ao explorar esta cidade, é impossível ignorar a fusão harmoniosa entre a herança cultural e as experiências contemporâneas. As suas ruas históricas contam-nos histórias que se entrelaçam com a tradição familiar, reflectidas nos valores duradouros que permeiam a sociedade local. Por entre as suas construções arquitectónicas imponentes e museus cativantes, Zurique também se eleva através da sua alma culinária, onde o chocolate suíço, o Rösti e os queijos artesanais, se tornam elementos fundamentais para apreciar a verdadeira essência desta região. Nessa jornada, “comer” tornam-se um momento de celebração, que proporciona um mergulho inesquecível na história, na cultura e nos sabores que definem Zurique como um destino verdadeiramente enriquecedor para toda a família. Tudo isto, relembra-nos que o Natal, é mesmo o melhor dos dias.
P.S. Não se preocupem com os transportes. Todas as atracções que vos falamos estão acessíveis por transportes públicos (Zurich Cards) que funcionam muito bem e a horas.
Um obrigado especial à Zürich Tourism por nos terem ajudado com esta viagem!!!
Existem mais de 50 mercados de Natal espalhados um pouco por toda a cidade” />
Deixando o Natal de lado” />
Conhecida como uma das ruas comerciais mais caras do mundo” />
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