“Clair de lune, chiaro de luna, claro de luna… jamais os franceses, os italianos e os espanhóis saberão, verdadeiramente, o que é o luar, que nós bebemos de um trago numa palavra só.” Mário Quintana
Localizada no vale arenoso e granítico do Dão, a região vinícola mais antiga de Portugal, a Quinta de Lemos está situada num planalto, em Silgueiros, a uma altitude de 340 metros. É a materializarão de um sonho de Celso de Lemos, que em 1997, visionava a criação de vinhos únicos, a partir das castas endógenas da região.
Os 25 hectares de vinhas estão rodeadas por belos olivais e bosques, e contam desde o início com o espírito criativo do enólogo Hugo Chaves, com calorosa personalidade comercial de Pierre de Lemos e com um símbolo muito bem escolhido.
O símbolo da família Lemos, quatro luas agrupadas num círculo é o traço comum que liga as quatro residires do vento em que esta família portuguesa explora o Mundo; as quatro montanhas que rodeiam a Quinta de Lemos no vale do Dão (Serra da Estrela, Serra do Caramulo, Serra do Buçaco e Serra da Nave); as quatro variedades de vinho mais utilizadas no Dão e as quatro virtudes da família; humanidade, simplicidade, visão e o gosto de partilhar.
Como homenagem aos antepassados da família, a Quinta de Lemos utiliza os seus nomes para designar os seus vinhos mais nobres, de que é exemplo o Dona Santana, do qual vos vou falar hoje. Têm ainda monovarietais interessantíssimos e carregados de terroir como o Alfrocheiro.
Ambos os vinhos, devido à sua invulgar combinação de acidez e untuosidade foram harmonizados com Costeletinhas de borrego, batata-doce assada, puré de ervilha e citrinos, cogumelos e jus de carne.
O Dona Santana 2010 (17€, 92 pts.) é a homenagem à avó de Celso Lemos, um blend das quatro castas tintas típicas do Dão, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro, com predominância da Touriga. Fez a fermentação maloláctica em barricas de carvalho francês, onde depois estagiou durante 18 meses.
Resultou num vinho muito virado para a fruta, com cor rubi densa, apenas com um ligeiro atijolado (impressionante para os 10 anos que já leva em garrafa), com notas de compota de morango, chocolate preto, amoras negras, noz moscada e petricor (cheiro que a chuva provoca ao cair em terra seca). Na boca é carnudo, cremoso e com os taninos bastante elegantes. Tudo em equilíbrio e harmonia.
Já o Alfrocheiro 2011 (25€, 93 pts.), também com a maloláctica feita em barricas de carvalho francês e com 18 meses de estágio, é muito mais floral que frutado (se o Santana “fosse um Vintage” seria Graham’s, este seria um Dow’s ;)). De cor rubi cristalina, exibe no nariz flores silvestres, jasmim, camonila, couro, tabaco, amêndoas secas, morangos e cerejas. No palato é ainda mais fresco que o Santana, é muito elegante, aveludado e com os taninos polidos mas ainda aguerridos. Mais uma vez equilíbrio e harmonia são as notas dominantes no final de boca.
Os vinhos Lemos são vinhos equilibrados, frescos, complexos e com alma e natureza do Dão, que fazem rimar inovação com tradição. Combinam muito bem com carnes ricas e untuosas como a do borrego, mas também vão muito bem com uma bela conversa. Vinhos para serem bebidos de um trago numa palavra só: identidade.
Parabéns, quem diria que o vinho também tinha as suas luas? 😉
Costeletinhas de borrego, batata-doce assada, puré de ervilha e citrinos, cogumelos e jus de carne
-Para o jus de carne, usem alguns ossos ainda com pedaços de carne (peçam no talho, se for de novilho ou borrego, melhor); cebola, cenoura e aipo partidos grosseiramente; e deixem cozinhar por 2 horas em lume brando;
-No final da cozedura coem o preparado para ficarem apenas com o liquido. Juntem manteiga, sal, pimenta, vinho do Porto e um pouco de limão. Deixem reduzir para metade em lume brando;
-Cortem a batata-doce em rodelas e levem ao forno a assar durante 20 minutos a 180ºC apenas com umas pedrinhas de sal e pimenta. Coloquem também os cogumelos a assar no mesmo tabuleiro.
-Cozam as ervilhas, juntem sumo de meia toranja, sumo de meio limão, noz-moscada, manteiga e queijo parmesão;
-Quando passarem 10 minutos das batatas e os cogumelos estarem a assar, coloquem no tabuleiro também umas meias luas de cebola (sem as destruir pois é aqui que o jus vai ser servido);
-Grelhem em lume forte o borrego em azeite com sal e pimenta;
-Adornem com romã, pimento amarelo e alecrim.
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