“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dorida pelas razões certas.” Rosecran Baldwin
Todos nós já ouvimos falar da Atlântida, um continente insular há muito tempo “perdido”, construído em mármore e muitas vezes idealizado como uma sociedade utópica. Esta lenda cativou sonhadores, poetas e artistas através de várias gerações. Na busca apaixonada por este continente desaparecido muitos aventureiros perderam fortunas, outros a razão, e alguns … a própria vida.
Ao contrário de muitas lendas cujas origens se desvaneceram nas brumas do tempo, hoje em dia, sabemos exactamente quando, como e onde o mito da Atlântida surgiu. A história foi contada pela primeira vez em dois dos diálogos de Platão, o “Timeu” e o “Critias”, escritos por volta de 360 a.C., ou seja, há mais de 2000 anos.
Segundo este filósofo, quando os Deuses dividiram entre si o mundo, Atena recebeu Atenas, e Poseídon a Atlântida, uma enorme ilha-continente. Poseídon viveu aí com uma jovem mortal, Clito, de quem teve dez filhos. O mais velho, de seu nome Atlas, dividiu a ilha em dez Estados, que distribuiu por si e pelos irmãos. Estas ilhas exuberantes continham ouro, prata, oricalco (uma liga metálica de belos reflexos cor de fogo) e outros metais preciosos, exibindo ainda uma abundante, rara e exótica vida selvagem.
Com o decorrer dos tempos, estes seres, metade humanos, metade Deuses, foram conquistando territórios vizinhos e tordando-se cada vez mais gananciosos. Além disto, estavam a assumir-se como uma potência naval, e portanto cada vez mais perigosos para os verdadeiros Deuses. Para resolver este problema, Poseidon, já casado com outra Deusa, Anfitrite, e pondo de parte a sua paixão anterior por uma humana mortal, organizou um concílio dos deuses. O resultado deste conclave?
Que os habitantes deveriam sofrer um castigo severo, que se consumou na destruição da Atlântida. Inicialmente houveram terramotos que provocaram grandes incêndios, dando origem a um tsunami que inundou o continente. Como as montanhas da Atlântida eram grandes, os cumes ficaram à superfície, originando as nove ilhas dos Açores. A descoberta fortuita por parte de um pescador, em 2013, de uma pirâmide submersa nos Açores, com 60 metros de altura e 8000 m2 de base, veio adensar a convicção de que o “continente perdido” havia sido encontrado em mar Português.
Apesar de Platão defender que a Atlântida já existia cerca de 9.000 anos antes da sua época (ou seja, há mais de 11 mil anos) e dos seus escritos serem os únicos registos conhecidos da existência desta civilização, muitos cientistas defendem que a lenda da Atlântida é “lógica”, já que as cheias apocalipticas e as explosões vulcânicas têm vindo a acontecer frequentemente ao longo da história, e por isso outras localizações têm sido discutidas, nomeadamente o Triângulo das Bermudas, Santorini, o estreiro de Gibraltar e até a Antártida.
Eu, como profundo conhecedor destas coisas, vou adensar esta discussão sugerindo uma nova localização para a Atlântida (pelas fotos já devem de ter percebido qual é;)): O Porto, mais concretamente o Maison Albar – Le Monumental Palace Hotel, aliás, para além de defender vou dar provas fotográficas irrefutáveis da minha tese. 😉
Este hotel veio trazer ao Porto um conceito inovador que combina na perfeição a monumentalidade arquitectónica do edifício e a história da cidade, com a elegância e estilo franceses, materializado numa contemporaneidade cosmopolita. Ostenta, com orgulho, um ambiente muito próprio. Se, por momentos, deixarmos de olhar para os Aliados somos tele-transportados para uma cidade não tão utópica quanto a Altantida, mas igualmente encantadora: Paris – através do design, dos cheiros, dos sabores e dos sons.
Com uma imponente fachada gótica, lá dentro ainda estão guardados alguns elementos e características originais do antigo edifício de 1923 (que acomodou um dos mais míticos cafés da cidade: o Café Monumental), como o corrimão da escadaria ou a grandiosidade do pé-direito, que lhe conferem a monumentalidade, elegância e o espírito do ambiente Art Déco e Art Nouveau, icónico da década de 30 do século passado. Nas suites predominam o conforto, a elegância, os materiais nobres, o ferro forjado e a luz natural que perfumam o ambiente com a finesse do estilo francês.
Tudo “transpira” luxo, requinte e bom gosto, desde os candeeiros exuberantes, à utilização de imponentes mármores portugueses, passando pela particularidade das alcatifas. Percebe-se que houve uma selecção criteriosa em que cada detalhe foi pensado e cada objecto enquadrado. A reforçar toda esta temática, os corredores de acesso aos quartos fazem-nos lembrar as carruagens do Expresso Oriente, mas sem crime. 😉
Já conhecíamos os outros espaços gastronómicos do hotel, desta vez concentrámos o palato no majestoso Monumental Café, dedicado ao melhor da cozinha francesa temperada com alma portuguesa e com assinatura do Chef Julien Montbabut, que veio de Paris (onde conquistou uma estrela Michelin no Le Restaurant) para abraçar este projecto.
Nesta brasserie ao estilo parisiense, que ainda hoje nos conta a história do antigo e prestigiado café que um dia ali marcou presença, encontramos uma cozinha super-saborosa e muito bem harmonizada, quer com uma selecção cuidada e criteriosa de vinhos quer com cocktails clássicos e de autor.
Este é um espaço, que merece por si só a visita. A Bia deliciou-se com as propostas culinárias, alternado o “estou cheia” a finalizar cada prato como um “hum, afinal já não estou tão cheia” com o início do próximo. 😉 O que nos chegou à mesa foi o resultado de um misto de produtos regionais frescos, de sabores puros onde as características de cada elemento se fazem sentir, (mas de forma harmonizada não abafando os restantes) e de técnicas contemporâneas. Tudo com muita qualidade.
Adorei a originalidade dos croquetes de sardinha de São João (só faltaram os martelos e fogo de artificio;)), a frescura levemente untuosa do gaspacho verde e tosta de requeijão, a complexidade surpreendente e ligeiramente irreverente do bacalhau com lima, feijão frade estufado e lula salteada e o exagero gulosamente ponderado da panacota de frutos vermelhos. Há ainda um menu Express de almoço, por apenas 16 euros (3 pratos) tem um preço ridiculamente baixo para a qualidade daquilo que nos é servido.
Desde ontem existe ainda mais um motivo enogastronómico para visitar o Maison Albar – Le Monumental Palace Hotel, o restaurante Le Monument reabriu, e nesta primeira fase de reabertura estará numa versão pop-up do restaurante gastronómico, com funcionamento ao jantar às quintas, sextas e sábados.
Nesta versão inovadora existirá um menu de degustação de 14 momentos inspirado nos produtos locais de algumas regiões do país e nas inspirações proporcionadas pelas viagens realizadas nelas. Trará para a mesa, com certeza, uma viagem sensorial única, para a qual já temos “bilhete reservado”. 😉
Também o pequeno-almoço sofreu alterações nesta altura de pandemia, em que quem sai beneficiado é o cliente, servido à la carte é possível deliciarmos-nos com deliciosas propostas como a tosta de abacate, torradas francesas, mousse de iogurte, mel e noz e, como não poderia faltar, ovos mexidos com bacon grelhado acompanhado por um belo espumante português 😉
Tivemos ainda a oportunidade de conhecer o Le Monumental Nuxe Spa (muito provavelmente o melhor do país) que proporcionou à família verdadeiros momentos de alegria, prazer e divertimento, num ambiente sofisticado, acolhedor, fino e seguro.
Acho que as imagens falam por si…O melhor que vos posso dizer é que nos sentimos seguros, protegidos, privilegiados, bem tratados e em família. Para finalizar, e como o prometido é devido, se olharmos com mais atenção para este Palácio, surgem apontamentos, discretos mas presentes, que sugerem uma misteriosa ligação à Atlântida…
Uma lareira com a imagem de Anfitrite e Poseidon, tridentes, conchas, mármores, o tal do oricalco, o SPA construído em forma de templo marítimo e até o próprio simbolo da Maison Albar Hotels.
Aliando todos estes detalhes a um lugar quase irreal e utópico, de um luxo autêntico e personalizado, que permite viver o tempo, o espaço e os afectos, com calma e sem pressas, podemos concluir que ali se respira, pelo menos, um pouco da magia da Atlântida. Saímos de lá com a barriga dorida … mas pelas razões certas. 😉
Obrigado Diogos, Pedro e Andreia, até breve. Sou muito mau a decorar nomes, se fixei estes é porque tudo correu mesmo muito bem 😉👨👩👧👦🙏
Umas palavras especiais para o Diogo Matos, por onde passa deixa sempre um “rasto” de saber fazer com qualidade, requinte afectivo, empenho, dedicação e excelência, parabéns 😉
Deixe um comentário