“Parece que a perfeição é atingida não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há mais nada a tirar” Antoine de Saint-Exupéry

Há uma passagem de Antoine de Saint-Exupéry, num texto ensaístico do autor, mais concretamente em “Terre des hommes” que me fez pensar na beleza das coisas simples e generosas: “a perfeição é atingida não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há mais nada a retirar.” É uma ideia simples, quase silenciosa, mas profundamente exigente, porque implica saber onde parar.
É nesse registo que se encontra o Casa Velha Clarete 2024.
Este vinho posiciona-se claramente dentro de uma tendência contemporânea que privilegia leveza, frescura e imediatismo, mas fá-lo com uma identidade que não se perde na banalidade. Nascido no planalto de Favaios, a altitude imprime-lhe uma tensão natural interessante, afastando-o de excessos de maturação e aproximando-o de um perfil mais vibrante e gastronómico.
No copo, apresenta uma cor rubi aberta, quase translúcida, que antecipa aquilo que depois se confirma na prova: um vinho mais focado na precisão do que na intensidade. Aromaticamente, surge direto, com fruta vermelha fresca (morango e framboesa) acompanhada por nuances mais subtis de sous-bois e uma especiaria discreta, sem nunca se tornar pesado ou demasiado marcado .

Na boca, o equilíbrio é o seu maior argumento. O corpo é leve, mas não vazio; os taninos são praticamente impercetíveis, o que reforça a ideia de um vinho pensado para fluidez e não para estrutura. A acidez, bem integrada, sustenta o conjunto e dá-lhe uma frescura constante, tornando-o particularmente apelativo para consumo descomplicado, mas ainda assim com identidade.
Não é um vinho que procure complexidade profunda nem evolução em garrafa, e isso não é uma limitação, mas uma escolha. A sua força está precisamente na clareza do propósito: ser acessível, versátil e fiel a um estilo que recupera, de forma contemporânea, a tradição dos claretes durienses.
Funciona particularmente bem à mesa, sobretudo com pratos leves, petiscos ou mesmo em contextos informais onde a frescura e a facilidade de beber são mais importantes do que a contemplação.
Pontuação: 85 / 100
Preço recomendado: 12 euros
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